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Herbert Vianna fala do novo CD e das brigas com Lobão
Jornal da Tarde - 28/09/2002

Seu senso de humor ainda está meio esquisito, mas Herbert Vianna demonstra uma recuperação intelectual espantosa

Rio de Janeiro - Herbert Vianna conta uma piada meio caseira para exemplificar as avaliações díspares que são feitas sobre seu estado de saúde mental. Diz que a empregada de sua casa, velha conhecida da família, decretou um dia, subitamente: "Meu filho, você já tá bom do juízo porque já está falando desse tal de Pepe Rupe." Trata-se da banda brasiliense Plebe Rude, e a menção errada ao nome faz desabar de rir a cozinha do grupo Paralamas do Sucesso, o baixista Bi Ribeiro e o baterista João Barone.O senso de humor ainda está meio esquisito, mas Herbert Vianna demonstra uma recuperação intelectual espantosa. Mas, às vezes, rebusca na memória e traz assuntos que parecem já fora de foco, como a briga com o cantor Lobão. "Ele vai xingar e não obtém nenhum xingamento de volta", disse. De boné, jaqueta de beisebol e guitarra a tiracolo, falou sobre política, The Jam, Beatles e outros assuntos, sempre acompanhado dos parceiros de 20 anos na maior banda do rock nacional.

Estado - Você compôs uma música chamada 300 Picaretas, que foi inspirada numa declaração do Lula. Como você vê a eleição atual?

Herbert Vianna - Eventualmente, tenho sentido muito claramente o desejo de ir a um programa do Lula. Não preciso falar nada, só levar um violãozinho e cantar, e levar um tamborzinho e pedir para ele tocar. Dá a impressão, pelo menos para a gente que está torcendo tanto por ele, pela mudança que ele pode representar, que ele pode ganhar no primeiro turno.

Bi Ribeiro - E não precisa falar mais nada, depois dessa música. Não vamos dizer nada, não vai precisar.

Como você tem feito a sua terapia?

Herbert - Faço muito exercício, tenho acompanhamento médico circular. Sou visitado o tempo todo. Tenho feito também nado de peito, nado crow com respiração bilateral. De 3 a 4 vezes por semana. As pessoas me perguntam: "Pô, mas tu já nadou isso antes?". Nunca nadei, mas, em algum momento, tive contato com algumas dessas técnicas de natação e gosto de surpreender as pessoas. Muitas das músicas novas parecem se referir a seu drama.

Você faz a conexão entre o momento que as compôs para o atual?

Herbert - Por enquanto não. Acho que, por uma questão operacional do cérebro, não está acontecendo. Pelo contrário. Tenho um desejo de ter a seqüência do disco decupada na minha cabeça.

Como vocês se situam na numeração dos CDs, que foi defendida pelo Lobão?

Herbert - O Lobão que já xingou a gente de tudo, e a gente sempre teve uma visão positiva dele. Ele xinga e não obtém nenhum xingamento de volta. A gente não precisa.

Você sente mágoa dele?

Herbert - Mágoa não. Mas me causou bastante perplexidade que ele visse no que a gente faz, e faz com tanto coração, coisas de propósito para irritar ele. De vez em quando a gente via o xingamento, o vômito dele.

João Barone - O Herbert tem esses rasgos de memória. Isso é uma questão superada aqui, há uma aproximação, a gente continua respeitando o trabalho dele. Soube que ele andou se redimindo, quase pedindo desculpas publicamente por tudo aquilo. É passado.

Bi Ribeiro - E, depois, a gente sempre copiou todas as músicas dele mesmo (risos).

E na numeração, com quem vocês ficam?

Barone - A gente aplaude, ele estava numa cruzada muito sólida. Mas a nossa situação é diferente da dele, que é independente, underground. A nossa situação é de uma banda consagrada com um contrato com uma major do disco, uma grande gravadora. E a gente nunca se sentiu roubado por ela, em nenhum aspecto. Sempre tivemos tudo que pedimos. Produzimos e lançamos bandas novas. A questão da numeração, o importante nela era discutir a questão, falar, conversar. O Lobão levantou a
bola, acho que tinha a necessidade de fazer algo edificante, de botar o dedo na cara das gravadoras. Esse disco é um pouco mais soturno que os outros do Paralamas.

Bi Ribeiro - É possível. Esse disco é um reflexo de tudo isso.

Isso foi deliberado? Nos discos dos Paralamas sempre tinha alguma coisa mais
dançante, mais festiva.

Herbert - Quando você fala de coisas mais dançantes, eu me lembro de O Beco. O ritmo é dançante, mas se você ouvir a letra recitada, vai ver que não tem nada de festiva.

João Barone - No novo disco, as letras falam de coisas mais angustiantes, tem o tema da violência urbana, um lado mais obscuro, mais pesado.E tem também algumas coisas diferentes.

Como decidiram gravar The Jam?

Barone - Era uma referência antiga do grupo, quando a gente estava atento à cena inglesa do pós new-wave. Era uma das nossas bandas favoritas. Lembro que a crítica pegava e dizia: ‘Aqui, eles adoram o Police!’, e a gente ria. A gente gostava é de The Jam, Specials, The Clash.

Bi Ribeiro - Quando estávamos fazendo o laboratório do que seria o nosso próximo disco, a gente achou que essa canção do The Jam poderia entrar, pela estranheza.

Herbert - Fico só pensando, no caso de o disco ter uma venda boa, como vai ser a surpresa do Paul Weller (líder do extinto grupo The Jam) quando receber direito autoral de uma banda de tão longe.

Vocês já pareceram próximos da música eletrônica, mas dessa vez a ignoraram completamente.

Bi Ribeiro - O mais perto que passamos da música eletrônica foi usar loops e baixo eletrônico.

Barone - A nossa aproximação é mais pela via do dub jamaicano do que dos Pet Shop Boys, coisas que a gente não gosta. Quando a gente estava se preparando para o que seria o próximo álbum, ficamos de parar por 6 meses e reavaliar tudo que a gente fez. Estávamos mais decididos a
fazer um disco de trio, mais simples. Em geral, a noção que têm da gente é que os Paralamas são uma mistura de várias coisas, afro, latino, rock. Mas o rock sempre foi nossa influência principal.

E essa música em inglês, Hinchley Pod?

Herbert Vianna - Hinchley é o nome da fazenda do pai da Lucy lá na Inglaterra. E pod é laguinho. É uma fazenda tão velha quanto o Brasil, e eu descobri lá que a estrutura de serviços é completamente diferente. O pai da Lucy, que já tem uma certa idade, não tem empregados e cuida sozinho da fazenda. O som é bem Paul McCartney.

Barone - É bem Beatles. E um pouco também Beach Boys.

Herbert - Mostrei para eles (o pessoal da fazenda). Mandei uma fita demo para lá e agora para a irmã da Lucy (mulher de Herbert, morta no acidente com o ultraleve) e eles adoraram.

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